
Você tem um plano, está buscando se desenvolver, seus objetivos estão claros, tem início meio e fim. Tudo parece ótimo até que as coisas começam a fugir do seu controle e você não vê alternativa a não ser, começar de novo. Com vocês, mais um texto original de Daniel Vargas, direto da Califórnia.
Faço minhas as palavras da música Walk do Foo Fighters:
I’m learning to walk again… I believe I’ve waited long enough… Where do I begin?
Imagine você sair do seu país em meio a uma crise econômica e todo o dinheiro que você tem, obviamente, é na moeda local. No caso, o famoso Real. Até aqui tudo bem, não fosse a crise ter impactado diretamente a minha vida fora do país.
A Disparada Do Dólar

Sem a pretensão de fazer um comentário econômico mais aprofundado, quero apenas dizer que a irresponsabilidade das pessoas que estão conduzindo o Brasil afeta a todos, perto ou longe. O mesmo governo irresponsável que está estudando a volta da CPMF é o mesmo governo que elevou os juros para realização de compras no exterior de 0,38% para 6,38%.
O problema é que além de afetar aqueles que viajam em busca de diversão e gadgets, esses impostos usurpadores também afetam aqueles que viajam para outro país em busca de estudo e conhecimento, como é o meu caso.
Como pensar em voltar para um país que dificultou a sua vida desde a saída, fazendo com que tudo se tornasse muito mais desafiador no meio do caminho?
Amo o Brasil e estou aqui nos Estados Unidos para me transformar na melhor versão de mim mesmo, a fim de voltar ao país e entregar valor às pessoas. Só não esperava que a irresponsabilidade de quem governa fosse tão longe a ponto de me fazer repensar se devo ou não voltar.
Desabafos a parte, no dia em que comprei a passagem para vir para os EUA, 30 de abril de 2015, eu precisava de R$3,01 para comprar um dólar. Atualmente para comprar um único dólar, eu preciso de R$3,86. Porém essa diferença aumenta quando se trata de dólar turismo, ou seja, no cartão de crédito o dólar já passa dos R$4!
Como sobreviver a tudo isso sem ter que desistir dos seus objetivos? Como se adaptar a uma realidade que foi duramente imposta por problemas os quais você não controla? Como seguir firme e forme apesar das pedras que foram jogadas no meio do seu caminho?
Reaprendendo

Esse é o chão que eu limpo para me manter vivo aqui nos Estados Unidos. Seria muito fácil voltar antes de concluir meu projeto. Bastava antecipar o meu voo e voltar para a zona de conforto.
Confesso que relutei antes de compartilhar essa história. Eis que me dei conta, que isso faz parte do processo. Roer o osso faz parte do processo. Estou aqui realizando um sonho e, para me manter, estou roendo um osso duro de roer.
Estou pagando o preço! Eu não costumo desistir facilmente dos meus sonhos. Poderia simplesmente dizer que o dólar subiu, meus reais encolheram e eu tive que voltar para o Brasil. Certamente todos entenderiam, mas eu não me orgulharia de fazer pela metade. Estou aqui por inteiro e por inteiro vou viver a experiência, custe o que custar.
Limpar o chão, lavar a louça, recolher o lixo, guardar as mesas e cadeiras são processos que acontecem ao final da minha jornada em uma pizzaria na cidade de Berkeley. Até chegar a hora da limpeza, eu sou entregador de pizza. Isso mesmo! Comprei um carro por $800 dólares e passei a entregar pizzas para uma pizzaria brasileira.
Sou muito grato ao dono da pizzaria que me deu essa oportunidade de trabalhar por aqui. Mais do que um trabalho, limpar o chão é um exercício de humildade. Dar um, dois ou três passos para trás, é um exercício que me ajuda a valorizar tudo aquilo que conquistei ao longo da minha vida.
Minha nada mole vida está tendo um capítulo de aprendizado, de crescimento e de provação. Esses percauços quando acontecem, nos remetem a perguntas como “o que estou fazendo aqui?”, ou “tenho mesmo que passar por isso?”, ou “onde foi que eu errei?”.
Nada como um dia após o outro e uma boa reflexão para se dar conta de que essa coisa chamada vida, principalmente para aqueles que querem vencer, te impõe desafios e te faz rever planos e conceitos para se manter no caminho dos objetivos.
Revendo O Plano

Aquele plano onde tudo aconteceria perfeitamente teve que ser reeditado para a nova realidade. Além de trabalhar como entregador de pizza, tive que fazer alguns cortes drásticos no meu orçamento. Apesar de viver na Califórnia, onde existem muitas atrações, estou tendo que selecionar muito bem as coisas que quero fazer.
Nessas horas é sempre bom lembrar do objetivo, do motivo que me trouxe até aqui e fazer cortes ou adaptações para seguir andando na direção certa. Infelizmente tive que reduzir a carga horária de estudos de inglês na escola. Por outro lado, estou criando alternativas para aumentar a minha exposição ao idioma, ou seja, transformando crise em oportunidade.
As horas a menos dentro da escola estão significando horas a mais para praticar o idioma no dia a dia. Participando de eventos, me conectando com nativos, ligando para telefones 0800, assistindo tudo que é noticiário na TV, filmes com legendas em inglês e lendo muito. A leitura ajuda demais!
Apesar de ser clichê, de fato, na crise existem oportunidades. A crise econômica fez o dólar disparar, fez meu dinheiro encolher, mas ao mesmo tempo me deu a oportunidade de exercitar a humildade, trabalhando dignamente. Fazer do limão uma limonada, não é fácil, mas é possível.
“Things do not change; we change.”
As coisas não mudam, nós mudamos — Henry David Thoreau. O ser humano é o ser mais adptável que existe. Por qual motivo eu não iria me adaptar pra continuar fazendo a coisa acontecer? Afinal de contas quando a gente quer, a gente dá um jeito, quando a gente não quer, a gente arruma uma desculpa.
Estou dando o meu jeito, fazendo a coisa acontecer, mantendo meu plano com as adaptações que foram necessárias. E se forem necessárias mais adaptações para me manter na direção dos meus objetivos, estou aqui para me adaptar e realizar.
Se você tem esperanças de que as coisas mudem, quero reforçar que as coisas não mudam. Nós devemos mudar a forma como encaramos as coisas e fazer o que for preciso para mudar a nós mesmos. Convido a você a assumir o controle da sua vida. Convido a você a arriscar mais. Convido a você a convidar você para realizar.
Deixe seu comentário sobre mudanças, desafios, adaptações e contribua para que outras pessoas aprendam com a sua experiência. Só não deixe as pedras no caminho paralisarem você, use cada pedra como um trampolim.
Afinal, como diz o título de um filme do Van Dame “Retroceder Nunca, Render-se Jamais”.
Qual é o teto de faturamento do seu negócio hoje?
Se você chegou até aqui e reconheceu sua empresa em algum ponto desse texto, a pergunta mais honesta que você pode fazer agora não é "como vendo mais" — é "o que está travando a minha receita no nível atual".
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Daniel Vitola de Vargas
Chief Revenue Officer (CRO)
todomundoprecisavender.com.br
